A história do Café

O café foi introduzido na Guiana Francesa através do Governador de Caiena que conseguiu, de um francês chamado Morgues um punhado de sementes de café, colhidas dos cafeeiros que os holandeses haviam plantado em Suriname, e as semeou no pomar de sua residência.

Em 1727, o Governador do Maranhão e Grão Pará, João da Maia da Gama, encomendou ao Sargento-mor uma missão oficial, este iria a Guiana Francesa para resolver alguns problemas de fronteiras, mas além disso havia para ele uma missão secreta: conseguir algumas sementes do fruto que, segundo informações transmitidas ao governador Maia, possuía grande valor comercial.

Não faltou à estória lances românticos. Conta-se que a esposa do Governador de Caiena apaixonou-se pelo galante brasileiro e o presenteou com algumas sementes e cinco mudas de café. No Brasil essas sementes e mudas foram plantadas em Belém do Pará e no ano seguinte o café foi introduzido no Maranhão e daí, irradiou em pequenas plantações, aos estados vizinhos, tendo atingido a Bahia em 1770.

Em 1773, o Desembargador João Alberto Castelo Branco trouxe, do Maranhão, para o Rio de Janeiro, algumas sementes de café, que foram plantadas no convento dos barbadinhos. O Vice-rei e o Bispo do Rio de Janeiro, fomentaram a ampliação da cultura, havendo este último, inclusive cultivado um viveiro na Fazenda Capão.

Do Rio de Janeiro o café expandiu-se pelos contrafortes da Serra do Mar, atingindo em 1825 o Vale do Paraíba, tendo alcançado daí os Estados de São Paulo e Minas Gerais. O café estendeu-se, derrubando a mata, abrindo estradas, fixando povoações e criando riquezas, com a exploração do solo virgem, rico em nutrientes, e da mão de obra escrava a baixo custo.

Iniciava-se o ciclo do café, após o do ouro e da cana, com o café implantando-se solidamente.

No centro - sul, em condições ecológicas altamente favoráveis, o café atingiu o oeste paulista, em 1840, o noroeste de São Paulo, em 1920; a Alta Sorocabana, a Alta Paulista e o Estado do Paraná, entre 1928-1930. O norte do Estado do Rio de Janeiro e o Espírito Santo já cultivam o café desde 1920.

O Brasil não era considerado como exportador de café até 1820, embora em 1800 o café tenha sido exportado pela primeira vez, quando apenas 13 sacos foram embarcados no Porto do Rio de Janeiro. Antes da independência, consta que algumas outras partidas de café foram realizadas, tendo como destino Lisboa e sendo cafés principalmente dos Estados do Norte, mas em pequenas quantidades que nem sequer foram anotadas. Com a libertação do país iniciou-se realmente a era do café e, em 1845, o Brasil já colhia 45% da produção mundial, destacando-se como o maior produtor.

O café foi implantado com o mínimo de conhecimento da cultura. A mata era derrubada, queimada e o café semeado, procurando-se apenas implantar a lavoura em terrenos férteis; era o início da ação predatória do meio ambiente virgem. O desconhecimento não tardou em trazer à incipiente cafeicultura grandes impactos e, já em 1870, uma grande geada atingia drasticamente as magníficas plantações das férteis regiões do Oeste Paulista, seguindo-se intensiva seca e incêndios que se propagaram de Atibaia ao Paraná. No entanto, o café continuou o seu desenvolvimento com o avanço das estradas de ferro e abertura de novas áreas.